Manhã e Noite

Devocional do dia

9 de junho

Manhã

Grandes coisas fez o Senhor por nós, pelo que estamos alegres.

Salmos 126:3

Alguns cristãos são tristemente inclinados a olhar para o lado escuro de tudo e a se demorar mais no que passaram do que no que Deus fez por eles.

Pergunte a eles qual é a impressão que têm da vida cristã, e descreverão os seus conflitos contínuos, as suas aflições profundas, as suas adversidades tristes e a pecaminosidade do próprio coração, quase sem nenhuma alusão à misericórdia e ao socorro que Deus lhes concedeu.

Mas o cristão cuja alma está saudável virá à frente com alegria e dirá: “Vou falar, não de mim, mas para a honra do meu Deus. Ele me tirou de um poço horrível, do lodo lamacento, pôs os meus pés sobre uma rocha e firmou os meus passos; e pôs na minha boca um cântico novo, um hino de louvor ao nosso Deus. Grandes coisas fez o Senhor por mim, pelo que estou alegre.”

Um resumo de experiência como esse é o melhor que qualquer filho de Deus pode apresentar. É verdade que passamos por provações, mas é igualmente verdade que somos livrados delas.

É verdade que temos as nossas corrupções, e sabemos disso com tristeza, mas é igualmente verdade que temos um Salvador toda-suficiente, que vence essas corrupções e nos livra do domínio delas.

Olhando para trás, seria errado negar que estivemos no Pântano do Desespero e nos arrastamos pelo Vale da Humilhação; mas seria igualmente perverso esquecer que passamos por eles em segurança e com proveito. Não ficamos neles, graças ao nosso Ajudador e Guia Todo-Poderoso, que nos trouxe “para um lugar de abundância”.

Quanto mais fundas as nossas dificuldades, mais alto o nosso agradecimento a Deus, que nos conduziu por tudo e nos guardou até agora. As nossas dores não conseguem estragar a melodia do nosso louvor; nós as contamos como a parte grave da canção da nossa vida: “Grandes coisas fez o Senhor por nós, pelo que estamos alegres.”

Noite

Examinai as Escrituras.

João 5:39

A palavra grega aqui traduzida por examinar significa uma busca rigorosa, cerrada, diligente, minuciosa — como a que os homens fazem quando procuram ouro, ou os caçadores quando estão de olho na caça.

Não devemos nos contentar com uma leitura superficial de um capítulo ou dois; com a vela do Espírito precisamos procurar de propósito o sentido escondido da palavra.

A Sagrada Escritura exige que se busque nela — muita coisa dela só se aprende com estudo cuidadoso. Há leite para as crianças, mas também carne para os fortes.

Os rabinos dizem, com sabedoria, que uma montanha de matéria pende de cada palavra, sim, de cada til da Escritura. Tertuliano exclama: “Eu adoro a plenitude das Escrituras.”

Nenhum homem que apenas passa os olhos pelo livro de Deus tira proveito dele; precisamos cavar e minerar até obter o tesouro escondido. A porta da palavra só se abre com a chave da diligência.

As Escrituras pedem que se busque nelas. São os escritos de Deus, com o selo e o imprimatur divino — quem ousará tratá-las com leviandade? Quem as despreza, despreza o Deus que as escreveu.

Deus não permita que qualquer um de nós deixe a sua Bíblia se tornar testemunha veloz contra si mesmo no grande dia das contas.

A palavra de Deus recompensa quem a busca. Deus não nos manda peneirar uma montanha de palha com um ou outro grão de trigo dentro; a Bíblia é grão já joeirado — basta abrir a porta do celeiro e achá-lo.

A Escritura cresce para quem a estuda. Está cheia de surpresas. Sob o ensino do Espírito Santo, ao olho que busca ela resplandece com o esplendor da revelação, como um templo imenso pavimentado de ouro lavrado e coberto de rubis, esmeraldas e toda sorte de pedras preciosas.

Nenhuma mercadoria é como a mercadoria da verdade da Escritura. Por fim, as Escrituras revelam Jesus: “São elas que testificam de mim.”

Nenhum motivo mais poderoso pode ser apresentado a quem lê a Bíblia do que este: quem acha Jesus acha a vida, o céu, todas as coisas. Feliz aquele que, buscando na sua Bíblia, descobre o seu Salvador.


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