Devocional do dia
25 de março
Manhã
Trais o Filho do Homem com um beijo?
Lucas 22:48
“Os beijos do inimigo são enganosos.” Que eu esteja em guarda quando o mundo puser cara de amigo, pois, se puder, ele me trairá como traiu o meu Mestre: com um beijo. Sempre que alguém está prestes a apunhalar a religião, costuma professar por ela grande reverência.
Que eu tome cuidado com a hipocrisia de rosto liso, que serve de escudeira à heresia e à descrença. Conhecendo o engano da injustiça, que eu seja prudente como a serpente para detectar e evitar as ciladas do inimigo.
O jovem, falto de entendimento, foi desencaminhado pelo beijo da mulher estranha. Que a minha alma seja hoje instruída com tanta graça que “a muita lisonja” do mundo não tenha efeito algum sobre mim. Espírito Santo, não permita que eu, pobre e frágil filho do homem, seja traído com um beijo!
Mas e se eu for culpado do mesmo pecado maldito de Judas, aquele filho da perdição? Fui batizado no nome do Senhor Jesus; sou membro da sua Igreja visível; sento-me à mesa da comunhão: tudo isso são beijos dos meus lábios. Sou sincero neles? Se não sou, sou um traidor vil.
Vivo no mundo com o mesmo descuido dos outros e, ainda assim, faço profissão de seguir Jesus? Então estou expondo a religião ao ridículo e levando as pessoas a falar mal do santo nome pelo qual sou chamado.
Se ajo com tamanha incoerência, sou mesmo um Judas, e melhor me fora não ter nascido. Ouso esperar que estou limpo nesse ponto? Então, ó Senhor, me guarde assim. Ó Senhor, me faça sincero e verdadeiro. Guarde-me de todo caminho falso. Nunca me deixe trair o meu Salvador.
Eu amo você, Jesus, e, embora muitas vezes o entristeça, quero permanecer fiel até a morte. Ó Deus, não permita que eu seja um professante de voo alto e caia por fim no lago de fogo, por ter traído o meu Mestre com um beijo.
Noite
O Filho do homem.
João 3:13
Com que constância o nosso Mestre usou o título “Filho do homem”! Se quisesse, poderia sempre ter falado de si mesmo como o Filho de Deus, o Pai da Eternidade, o Maravilhoso, o Conselheiro, o Príncipe da Paz. Mas repare na humildade de Jesus: ele prefere chamar-se Filho do homem.
Aprendamos com o nosso Salvador uma lição de humildade; nunca corramos atrás de grandes títulos nem de honrarias vaidosas. Há aqui, porém, um pensamento bem mais doce.
Jesus amou tanto a humanidade que teve prazer em honrá-la; e, já que é uma honra altíssima — na verdade, a maior dignidade da humanidade — que Jesus seja o Filho do homem, ele costuma exibir esse nome, para pendurar, por assim dizer, estrelas reais no peito da humanidade e mostrar o amor de Deus à descendência de Abraão.
Filho do homem — toda vez que dizia essa palavra, ele lançava uma auréola em torno da cabeça dos filhos de Adão. E talvez haja um pensamento ainda mais precioso. Jesus Cristo chamou a si mesmo Filho do homem para expressar a sua união e a sua solidariedade com o seu povo.
Assim ele nos lembra de que é aquele de quem podemos nos aproximar sem medo. Como homem, podemos levar a ele todas as nossas dores e aflições, pois ele as conhece por experiência; e, porque ele mesmo sofreu como “Filho do homem”, pode socorrer e consolar.
Salve, ó bendito Jesus! Já que você usa para sempre o nome doce que reconhece que é irmão e parente próximo, isso é para nós um sinal querido da sua graça, da sua humildade, do seu amor.
“Oh, veja como Jesus se entrega
ao nosso amor de criança,
como se, no seu trato livre conosco,
quisesse provar a nossa sinceridade!
Seu nome sagrado, palavra comum,
ele gosta de ouvir na terra;
não há nele majestade alguma
de que o amor não possa chegar perto.”