Devocional do dia
10 de abril
Manhã
O lugar chamado Calvário.
Lucas 23:33
O monte do conforto é o monte do Calvário; a casa da consolação é construída com a madeira da cruz; o templo da bênção celestial está fundado sobre a rocha fendida — fendida pela lança que traspassou o seu lado. Nenhuma cena da história sagrada alegra a alma como a tragédia do Calvário.
“Não é estranho que a hora mais escura
que já amanheceu sobre a terra pecadora
toque o coração com poder mais suave,
para consolo, do que a alegria de um anjo?
Que para a Cruz se volte o olhar de quem chora,
antes que para onde ardem as estrelas de Belém?”
A luz nasce da meia-noite em pleno meio-dia do Gólgota, e toda erva do campo floresce docemente à sombra da árvore que um dia foi maldita. Naquele lugar de sede, a graça cavou uma fonte que jorra sem parar águas puras como cristal, cada gota capaz de aliviar as dores da humanidade.
Você, que já teve as suas temporadas de conflito, vai admitir que não foi no Olival que encontrou consolo, nem no monte Sinai, nem no Tabor; mas o Getsêmani, o Gabatá e o Gólgota foram meios de consolo para você.
As ervas amargas do Getsêmani muitas vezes tiraram o amargor da sua vida; o açoite do Gabatá muitas vezes açoitou para longe as suas preocupações, e os gemidos do Calvário puseram em fuga todos os outros gemidos. Assim o Calvário nos rende um consolo raro e rico.
Nunca teríamos conhecido o amor de Cristo em toda a sua altura e profundidade se ele não tivesse morrido; nem poderíamos imaginar o afeto profundo do Pai se ele não tivesse entregado o seu Filho para morrer.
As misericórdias comuns que desfrutamos todas cantam do amor, assim como a concha, quando a encostamos no ouvido, sussurra do mar profundo de onde veio; mas se queremos ouvir o próprio oceano, não devemos olhar para as bênçãos de todo dia, e sim para o que se passou na crucificação. Quem quiser conhecer o amor, retire-se para o Calvário e veja morrer o Homem de dores.
Noite
Porque esta noite esteve comigo o anjo de Deus.
Atos 27:23
Tempestade e longa escuridão, somadas ao risco iminente de naufrágio, tinham posto a tripulação do navio em situação lastimável. Um só homem entre eles permanecia perfeitamente calmo, e pela palavra dele os demais se tranquilizaram. Paulo era o único com ânimo para dizer: “Senhores, tende bom ânimo.”
Havia a bordo legionários romanos veteranos e velhos marinheiros valentes, e ainda assim aquele pobre prisioneiro judeu tinha mais coragem que todos eles. Ele tinha um Amigo secreto que lhe sustentava o ânimo.
O Senhor Jesus enviou um mensageiro celestial para sussurrar palavras de consolo ao ouvido do seu servo fiel; por isso o rosto dele brilhava, e ele falava como quem está tranquilo.
Se tememos o Senhor, podemos esperar intervenções na hora certa quando nossa situação está no pior. Tempestades não impedem os anjos de chegar até nós, nem a escuridão os atrasa. Serafins não acham humilhante visitar o mais pobre membro da família celeste.
Se em tempos comuns as visitas dos anjos são raras e espaçadas, elas serão frequentes nas nossas noites de tempestade e de mar revolto.
Amigos podem se afastar de nós quando estamos sob pressão, mas a nossa convivência com os habitantes do mundo angélico será mais abundante; e, na força das palavras de amor trazidas até nós desde o trono pela escada de Jacó, seremos fortes para realizar grandes feitos.
Caro leitor, esta é uma hora de aflição para você? Então peça um socorro especial. Jesus é o anjo da aliança, e, se a presença dele for buscada agora com seriedade, não será negada.
O ânimo que essa presença traz ao coração é lembrado por aqueles que, como Paulo, tiveram o anjo de Deus ao seu lado numa noite de tempestade, quando as âncoras já não seguravam e as rochas estavam perto.
“Ó anjo do meu Deus, chega perto,
no meio da escuridão, cala o meu medo;
ruge alto o mar bravio e tempestuoso,
tua presença, Senhor, há de me consolar.”