Devocional do dia
22 de novembro
Manhã
Israel serviu por uma esposa, e por uma esposa guardou ovelhas.
Oseias 12:12
Jacó, ao discutir com Labão, descreve assim o próprio trabalho: “Estes vinte anos estive contigo. O que era despedaçado pelas feras não te trouxe: eu sofria o dano; da minha mão o requerias, fosse roubado de dia ou roubado de noite. Assim andei; de dia me consumia o calor, e de noite a geada; e o sono fugia dos meus olhos.”
Ainda mais penosa que essa foi a vida do nosso Salvador aqui embaixo. Ele velou sobre todas as suas ovelhas até dar a sua última conta: “De todos os que me deste, nenhum perdi.” Seus cabelos ficaram molhados de orvalho, e suas madeixas, das gotas da noite.
O sono fugiu dos seus olhos, porque a noite inteira ele estava em oração, lutando pelo seu povo. Numa noite era preciso interceder por Pedro; logo depois, outro reclamava a sua intercessão em lágrimas.
Nenhum pastor sentado sob o céu frio, olhando para as estrelas, poderia queixar-se da dureza do seu trabalho como Jesus Cristo poderia ter feito, se quisesse, pelo rigor do serviço que prestou para conquistar a sua esposa —
“Montanhas frias e o ar da meia-noite
testemunharam o fervor da sua oração;
o deserto conheceu as suas tentações,
o seu conflito e também a sua vitória.”
É doce demorar-se no paralelo espiritual de Labão exigir todas as ovelhas da mão de Jacó. Se fossem despedaçadas pelas feras, Jacó tinha de repor; se alguma morresse, ele respondia como fiador pelo rebanho inteiro.
O trabalho de Jesus pela sua Igreja não foi o trabalho de quem estava sob obrigação de fiador, para levar são e salvo cada um dos que creem à mão daquele que os confiou ao seu cuidado?
Olhe para Jacó no seu trabalho, e você vê um retrato daquele de quem lemos: “Como pastor apascentará o seu rebanho.”
Noite
O poder da sua ressurreição.
Filipenses 3:10
A doutrina de um Salvador ressuscitado é preciosa demais. A ressurreição é a pedra angular de todo o edifício do cristianismo. É a pedra que fecha o arco da nossa salvação.
Seria preciso um volume inteiro para expor todas as correntes de água viva que brotam dessa única fonte sagrada, a ressurreição do nosso amado Senhor e Salvador Jesus Cristo.
Mas saber que ele ressuscitou, e ter comunhão com ele assim — conviver com o Salvador ressuscitado por possuir uma vida ressuscitada, vê-lo deixar o túmulo ao deixarmos nós mesmos o túmulo da mundanidade —, isso é ainda mais precioso.
A doutrina é a base da experiência; mas, assim como a flor é mais bonita que a raiz, também a experiência da comunhão com o Salvador ressuscitado é mais bonita que a própria doutrina.
Eu quero que você creia que Cristo ressuscitou dos mortos, a ponto de cantar sobre isso e de tirar toda a consolação que for possível extrair desse fato tão comprovado e tão testemunhado; mas eu lhe peço: não se contente nem mesmo aí.
Embora você não possa vê-lo com os olhos, como os discípulos viram, eu o convido a aspirar a ver Cristo Jesus com o olho da fé; e, embora, como Maria Madalena, você talvez não possa “tocá-lo”, pode ter o privilégio de conversar com ele e de saber que ele ressuscitou, estando você mesmo ressuscitado nele para uma vida nova.
Conhecer um Salvador crucificado como aquele que crucificou todos os meus pecados é um alto grau de conhecimento; mas conhecer um Salvador ressuscitado como aquele que me justificou, e perceber que ele me deu vida nova, fazendo de mim uma nova criatura pela novidade da sua própria vida — essa é uma experiência nobre.
Aquém dela, ninguém deveria se dar por satisfeito. Que você venha a conhecer as duas coisas: “a ele, e o poder da sua ressurreição”. Por que as almas vivificadas com Jesus vestiriam as mortalhas da mundanidade e da incredulidade? Levante-se, porque o Senhor ressuscitou.