Manhã e Noite

Devocional do dia

19 de junho

Manhã

E todos foram cheios do Espírito Santo.

Atos 2:4

Ricas seriam as bênçãos deste dia se todos nós fôssemos cheios do Espírito Santo. Seria impossível superestimar as consequências desse sagrado encher da alma. Vida, consolo, luz, pureza, poder, paz — e muitas outras bênçãos preciosas são inseparáveis da presença benigna do Espírito.

Como óleo sagrado, ele unge a cabeça do crente, o separa para o sacerdócio dos santos e lhe dá graça para exercer bem o seu ofício. Como a única água que de fato purifica, ele nos limpa do poder do pecado e nos santifica para a santidade, operando em nós tanto o querer como o fazer, segundo a boa vontade do Senhor.

Como luz, ele nos mostrou primeiro o nosso estado perdido, e agora revela o Senhor Jesus a nós e em nós, e nos guia no caminho da justiça. Iluminados pelo seu raio celestial e puro, já não somos trevas, mas luz no Senhor.

Como fogo, ele nos purga da escória e põe em chamas a nossa natureza consagrada. Ele é a chama do sacrifício pela qual podemos oferecer a nossa alma inteira como sacrifício vivo a Deus.

Como orvalho do céu, ele tira a nossa esterilidade e fertiliza a nossa vida. Quem dera ele descesse do alto sobre nós nesta hora da manhã! Esse orvalho matinal seria um doce começo para o dia.

Como pomba, com asas de amor pacífico, ele paira sobre a sua Igreja e sobre a alma dos crentes; e, como Consolador, dissipa os cuidados e as dúvidas que estragam a paz dos seus amados.

Ele desce sobre os escolhidos como desceu sobre o Senhor no Jordão, e dá testemunho de que são filhos, operando neles um espírito filial pelo qual clamam: Aba, Pai.

Como o vento, ele traz aos homens o sopro da vida; soprando onde quer, realiza as operações vivificadoras pelas quais a criação espiritual é animada e sustentada. Queira Deus que sintamos a sua presença hoje e todos os dias.

Noite

O meu Amado é meu, e eu sou dele: ele apascenta entre os lírios. Até que rompa o dia, e fujam as sombras, volta, meu Amado, e sê semelhante ao gamo ou ao filho dos veados sobre os montes de Bether.

Cantares de Salomão 2:16, 17

Se há um versículo feliz na Bíblia, é este: “O meu Amado é meu, e eu sou dele.” Tão sereno, tão cheio de certeza, tão transbordante de alegria e contentamento, que bem poderia ter sido escrito pela mesma mão que escreveu o Salmo vinte e três.

E, no entanto, embora a vista seja formosa e amável ao extremo — a terra não tem coisa melhor a mostrar —, não é uma paisagem inteiramente ensolarada. Há uma nuvem no céu que lança sua sombra sobre a cena. Escute: “Até que rompa o dia, e fujam as sombras.”

Há também uma palavra sobre os “montes de Bether”, ou “montes da divisão”, e, para o nosso amor, qualquer coisa parecida com divisão é amargura. Amado, este pode ser o seu estado de espírito neste momento: você não duvida da sua salvação, sabe que Cristo é seu, mas não está à mesa com ele.

Você entende o seu interesse vital nele, de modo que não tem sombra de dúvida de que é dele e de que ele é seu; mas ainda assim a mão esquerda dele não está debaixo da sua cabeça, nem a direita o abraça.

Uma sombra de tristeza cobre o seu coração, talvez pela aflição, certamente pela ausência temporária do seu Senhor. Assim, mesmo enquanto exclama “Eu sou dele”, você é forçado a se pôr de joelhos e orar: “Até que rompa o dia, e fujam as sombras, volta, meu Amado.”

“Onde está ele?”, pergunta a alma. E a resposta vem: “Ele apascenta entre os lírios.” Se quisermos encontrar Cristo, precisamos entrar em comunhão com o povo dele, precisamos ir às ordenanças com os seus santos. Oh, por um vislumbre dele ao entardecer! Oh, cear com ele esta noite!


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