Devocional do dia
1 de outubro
Manhã
Frutos suaves, novos e velhos, que eu te guardei, ó amado meu.
Cantares de Salomão 7:13
A esposa deseja dar a Jesus tudo o que produz. O nosso coração tem “toda sorte de frutos suaves”, tanto “velhos” como “novos”, e eles estão guardados para o nosso Amado. Nesta rica estação de outono, tempo de frutos, vamos passar em revista os nossos estoques.
Temos frutos novos. Queremos sentir vida nova, alegria nova, gratidão nova; queremos tomar resoluções novas e cumpri-las com trabalhos novos; o nosso coração floresce em orações novas, e a nossa alma se compromete com esforços novos.
Mas temos também alguns frutos velhos. Ali está o nosso primeiro amor: que fruto seleto! e Jesus se deleita nele. Ali está a nossa primeira fé: aquela fé simples pela qual, nada tendo, passamos a possuir todas as coisas. Ali está a nossa alegria de quando conhecemos o Senhor: vamos reavivá-la.
Temos as nossas velhas lembranças das promessas. Como Deus tem sido fiel! Na doença, com que suavidade ele arrumou a nossa cama! Nas águas profundas, com que placidez nos sustentou à tona! Na fornalha em chamas, com que graça nos livrou.
Frutos velhos, sem dúvida! Temos muitos deles, pois as suas misericórdias têm sido mais numerosas que os cabelos da nossa cabeça.
Pecados velhos temos de lamentar; mas então tivemos arrependimentos que ele nos deu, pelos quais choramos o nosso caminho até a cruz e aprendemos o mérito do seu sangue. Temos frutos, nesta manhã, novos e velhos; mas o ponto é este: todos eles estão guardados para Jesus.
De fato, os melhores e mais aceitáveis serviços são aqueles em que Jesus é o único alvo da alma, e a glória dele, sem mistura nenhuma, é o fim de todos os nossos esforços. Que os nossos muitos frutos sejam guardados só para o nosso Amado.
Vamos mostrá-los quando ele estiver conosco, e não erguê-los diante do olhar dos homens. Jesus, vamos girar a chave na porta do nosso jardim, e ninguém entrará para roubar de você um só bom fruto do solo que você regou com o seu suor de sangue. Tudo o que temos será seu, só seu, ó Jesus, nosso Amado!
Noite
Ele dará graça e glória.
Salmos 84:11
Jeová é generoso por natureza; dar é o seu deleite. Seus dons são preciosos além de qualquer medida, e são entregues com a mesma liberalidade da luz do sol.
Ele dá graça aos seus eleitos porque assim quer; aos seus remidos, por causa da aliança; aos chamados, por causa da promessa; aos que creem, porque a buscam; aos pecadores, porque dela precisam.
Ele dá graça com abundância, na hora certa, sem parar, de pronto, soberanamente; e o modo de dar dobra o valor do presente.
Graça em todas as suas formas ele entrega de graça ao seu povo: graça que consola, que guarda, que santifica, que dirige, que ensina, que socorre — ele a derrama com generosidade na alma dos seus, sem cessar, e sempre fará isso, aconteça o que acontecer.
Pode vir a doença, mas o Senhor dará graça; pode chegar a pobreza, mas a graça certamente será concedida; a morte virá, mas a graça acenderá uma vela na hora mais escura. Leitor, que bênção é, enquanto os anos giram e as folhas começam a cair de novo, ter uma promessa que não murcha como esta: “O Senhor dará graça.”
A pequena conjunção “e” neste versículo é um rebite de diamante prendendo o presente ao futuro: graça e glória andam sempre juntas. Deus casou as duas, e ninguém pode divorciá-las.
O Senhor jamais negará a glória à alma a quem ele deu de graça viver da sua graça. Na verdade, a glória não é nada além da graça em traje de domingo, a graça em plena flor, a graça como fruto de outono, madura e completa.
Ninguém sabe quão cedo essa glória pode chegar! Pode ser que, antes que este mês de outubro termine, estejamos vendo a Cidade Santa; mas, seja o intervalo maior ou menor, em breve seremos glorificados.
Glória — a glória do céu, a glória da eternidade, a glória de Jesus, a glória do Pai — o Senhor certamente dará aos seus escolhidos. Que promessa rara de um Deus fiel!
Dois elos de ouro de uma só cadeia celeste:
quem tem a graça certamente ganhará a glória.